segunda-feira, julho 02, 2007

Tempo de Matar

A história dos jovens que espancaram pessoas no ponto de ônibus expõe o tamanho da chaga que cresce graças ao desnível social presente no país. O depoimento dos pais dos envolvidos ou a repercussão do "incidente" (adoro como o eufemismo é usado nessa hora por quem tem escola para recorrer a palavras bonitas) nos adolescentes moradores de condomínio da região mostram a falta de noção da existência do outro e do respeito por ele, carregue ele um monte de notas ou nenhuma moeda no bolso.

(Matéria da Folha, domingo, por Italo Nogueira:
Cuidado, você está na Barra. Desde um roubo de cone a agressões a pessoas em ponto de ônibus, os freqüentadores da noite da Barra da Tijuca (zona oeste do Rio) têm histórias de incivilidade -seja como autores, vítimas ou espectadores. (...)A sucessão de vandalismo que periodicamente assusta o bairro teve um novo capítulo na semana passada, quando um grupo de cinco jovens de classe média agrediu uma doméstica, uma manicure, duas prostitutas e um rapaz em pontos de ônibus e um posto de gasolina.
(...) relatos colhidos pela Folha sobre Júlio Junqueira, 21, um dos envolvidos no caso da doméstica Sirlei Dias de Carvalho, 32. Segundo amigos, o rapaz circulava recentemente pelo bairro dirigindo um carro esportivo de luxo, Mitsubishi L 200.
Assim como ele, diversos jovens circulam por boates e postos de gasolina do bairro, em uma busca sem fim pelo melhor local da noite. Às vezes, acabam na avenida Lúcio Costa, na praia, onde se concentram cerca de 50 prostitutas, alvos de xingamentos.
"[O Júlio] Não tinha personalidade, [fazia besteiras] mais para se auto-afirmar. Quando queria ser gente-boa, era", afirmou um colega de Júlio, que pediu para não ser identificado.
(...)

Para jovens, há exagero em prisão de agressores
DA SUCURSAL DO RIO
Apesar da desaprovação geral pelo que eles fizeram, na noite que gira em torno dos postos de gasolina, das boates e das pistas planejadas para alta velocidade da Barra da Tijuca, muitos acreditam que os cinco agressores da doméstica Sirlei Dias de Carvalho, 32, já tiveram a sua pior punição: a exposição de seus rostos na mídia.
"Eles devem ser punidos, mas para que colocar numa prisão? Para lá ter contato com outros tipos de criminosos e sair de lá pior?", questionou a estudante Viviane Potter, 25.
No dia da prisão do grupo, na segunda, o microempresário Ludovico Bruno, 46, pai de Rubens Arruda, 19, afirmou que eles não deveriam ficar presos junto com "outros bandidos".
O empresário Rafael Santos, 21, considera "exagero" a prisão do grupo, indiciado pelo delegado Carlos Augusto Nogueira por tentativa de latrocínio e formação de quadrilha. "Se o caso não fosse divulgado, o problema seria resolvido com dinheiro, que é o que sempre acontece."
Para o seu amigo, o comerciante Márcio Pereira, 22, "seis meses ou um ano já estava bom". "Mas o mais justo seria eles prestarem serviço comunitário, algo assim", afirma ele.
(...)"

Toda a maneira que pais e amigos dos jovens que "só queriam se divertir" me faz lembrar o filme "Tempo de Matar": Se você não viu (ou leu o livro) a história é baseada num pai, Samuel L Jackson, que mata dois homens que estupraram a filha dele de 7 anos minutos antes deles serem julgados e é então preso e colocado sob julgamento, com a sociedade exigindo pena de morte. Ele os mata antevendo o resultado do julgamento de dois estupradores brancos a uma menina negra em um estado do sul dos EUA, Ku Klux Kan e o todo o pacote redneck rolando. Ele chama um advogado branco para defendê-lo, Matthew MacConaughey, justamente porque acredita ele ser o único que sabe pensar e jogar nas regras do que o personagem de Jackson chama de "o inimigo."

"Jake Tyler Brigance: We're going to lose this case, Carl lee. There are no more points of law to argue here. I want to cope a plea, maybe Buckley will cop us a second degree murder and we can get you just life in prison.
Carl Lee Hailey: Jake, I can't do no life in prison. You got to get me off. Now if it was you on trial...
Jake Tyler Brigance: It's not me, we're not the same, Carl Lee. The jury has to identify with the defendant. They see you, they see a yardworker; they see me, they see an attorney. I live in town, you live in the hill.
Carl Lee Hailey: Well, you are white and I'm black. See Jake, you think just like them, that's why I picked you; you are one of them , don't you see?. Oh, you think you ain't because you eat in Claude's and you are out there trying to get me off on TV talking about black and white, but the fact is you are just like all the rest of them. When you look at me, you don't see a man, you see a black man.
Jake Tyler Brigance: Carl Lee, I'm your friend.
Carl Lee Hailey: We ain't no friends, Jake. We are on different sides of the line, I ain't never seen you in my part of town. I bet you don't even know where I live. Our daughters, Jake; they ain't never gonna play together.
Jake Tyler Brigance: What are you talking about?
Carl Lee Hailey: America is a wall and you are on the other side. How's a black man ever going to get a fair trial with the enemy on the bench and in the jury box?. My life in white hands? You Jake, that's how. You are my secret weapon because you are one of the bad guys. You don't mean to be but you are. It's how you was raised. Nigger, negro, black, African-american, no matter how you see me, you see me different, you see me like that jury sees me, you are them. Now throw out your points of law Jake. If you was on that jury, what would it take to convince you to set me free? That's how you save my ass. That's how you save us both. "

filme vai, filme vem, e o argumento final do advogado é esse:

"Jake Tyler Brigance: [in his summation, talking about Tonya Hailey] I want to tell you a story. I'm going to ask you all to close your eyes while I tell you the story. I want you to listen to me. I want you to listen to yourselves. Go ahead. Close your eyes, please. This is a story about a little girl walking home from the grocery store one sunny afternoon. I want you to picture this little girl. Suddenly a truck races up. Two men jump out and grab her. They drag her into a nearby field and they tie her up and they rip her clothes from her body. Now they climb on. First one, then the other, raping her, shattering everything innocent and pure with a vicious thrust in a fog of drunken breath and sweat. And when they're done, after they've killed her tiny womb, murdered any chance for her to have children, to have life beyond her own, they decide to use her for target practice. They start throwing full beer cans at her. They throw them so hard that it tears the flesh all the way to her bones. Then they urinate on her. Now comes the hanging. They have a rope. They tie a noose. Imagine the noose going tight around her neck and with a sudden blinding jerk she's pulled into the air and her feet and legs go kicking. They don't find the ground. The hanging branch isn't strong enough. It snaps and she falls back to the earth. So they pick her up, throw her in the back of the truck and drive out to Foggy Creek Bridge. Pitch her over the edge. And she drops some thirty feet down to the creek bottom below. Can you see her? Her raped, beaten, broken body soaked in their urine, soaked in their semen, soaked in her blood, left to die. Can you see her? I want you to picture that little girl. Now imagine she's white."

agora imagine que a mulher de 32 anos que apanhou pencas é sua amiga, sua irmã, sua mãe, sua conhecida. Você realmente ia achar muito que os responsáveis fossem para a cadeia?




*se alguém quiser o texto em português, me avisa que eu traduzo e envio.

3 Comments:

Blogger Lady O. said...

Li uma coisa interessante sobre isso agora pouco...
Enquanto isso numa redação de Jornal: " Vou te explicar pela última vez: se os agressores de uma doméstica morarem em um condomínio de luxo a gente chama de "grupo de jovens"; mas se eles morarem na periferia...Ai pode escrever "quadrilha", entendeu?!?"

Logo depois vi a notícia sobre os atores da malhação e o espancamento de um travesti e de uma prostutita....

Uma coisa "Lenda Urbana" que me assusta muito...
Detalhe tudo isso em um site que tem a intensão de ser engraçado: o Kibe Loco...

É...o mundo tá perdido mesmo...


:(

bjocas

6:31 PM  
Anonymous Anônimo said...

post fantastico.

sad sad world

bjs

ig e lou

1:54 AM  
Anonymous Anônimo said...

Manda para mim a traducao desse argumento final do filme tempo de matar?
tatycarvalhop@hotmail.com

6:14 PM  

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