terça-feira, julho 10, 2007





A semana que passou foi meio carioca, entre idas e vindas de caos aéreo, prêmio Multishow na 3afeira e Live Earth no fim de semana.






Ao vivo é uma das coisas mais gostosas de fazer no trabalho - adrenalina, frio na barriga, o tal inesperado batendo a sua porta. O pânico maior sempre foi - e acho que sempre será - um ataque de espirros na hora que a luz vermelha se acende na sua frente e uma voz diz "é seu" ao ouvido.








A partir do momento em que a voz do além veio e te deu essa deixa, tudo pode acontecer - inclusive coisas muito estranhas como você ouvir a sua própria voz com alguns segundos de atraso. É assim, você começa a frase e devocêrepentecomeçaaafrasefrasecomeçaededenovorepentedentroadafrasesuacomeçacabeçade...
(sem a vantagem da marcação em vermelho).




Aí você tem duas opções, a mais sábia e experiente diz "Arranque a porcaria do fone
, explique o que houve e continue". A mais afobada e confiante pretende continuar como se fosse possível terminar a entrada e o pensamento. Ledo engano. Tem uma hora que dá um nó na cabeça e você começa a falar coisas estranhas e sem sentido. Mas acaba. Ao vivo tem essa vantagem, tempo certo para acabar.



E na seqüência vem outro. E alguém te traz um entrevistado no meio da entrada sem você ter certeza de quem é. E é - pasme - MC Leozinho. E você no maior papo salvemos o planeta. O que diz? Ora," bom Leozinho, se ela dança, você dança, se ela recicla, você recila, né? O que você faz para ajudar o meio ambiente" e aí, apesar da piada infame e da livre associação, ele fala, o ao vivo segue e você vai ganhando mais confiança.


Quase tudo funciona como planejado a não ser quando Murphy senta do seu lado, só para tirar mais uma casquinha, e vem um ao vivo sem retorno de aúdio nenhum. Você não sabe quando começa, quando termina, não sabe nada. Num navio sem leme só te resta navegar.



Depois de tempestades, ciclones e derretimentos de calotas polares, vêm o sol e a bonança: O navegar se torna divertido e você relaxa ao descobrir que acabou um, vem outro. E o negócio é fazer sempre melhor na entrada seguinte. E quando percebe, atravessou todo aquele oceano e chegou ao final dele de alma lavada.

Tinha a pretensão de achar que o dia que o delay acontecesse comigo, iria jogar o fone longe e tirar de letra o final. Agora me pergunto porque mantive a pose que não existia: a cara aterrorizada, o discurso saindo truncado. Seria tão mais fácil e menos dolorido assumir que algo além do seu controle está acontecendo. Mas na hora não desci do salto, agindo como se fosse possível resolver tudo sozinha.


Aos quase-30-anos já deu para aprender que MulherMaravilha não existe. Mas `as vezes a gente insiste até errar feio. Aí você descobre que não precisa ser assim. Porque - já dizia o ditado - merda acontece - é um saco, mas acontece. E por algum estranho motivo, só se aprende errando. O certo parece natural e ninguém pára muito para pensar no que está fazendo.



Passado o susto e o achincalhamento pessoal, fica uma boa sensação.
O mundo certo, seguro e palpável é muito chato. Não tem surpresa.
Ninguém acorda na 2afeira pensando "aha, uhu, quero ter uma lição de vida", mas cair te ensina a ficar de pé - para tanto, basta se levantar.
Porque a outra opção é se trancar num quarto escuro, ir para o sarcófago e de lá nunca mais sair. E não sair como, se a vida corre, o tempo urge, tem programa novo para gravar, sinhazinha. E o jornal de ontem vai virar embrulho de flor na feira de amanhã.
Caiu 7? Levanta 8.
É uma atitude dissonante. Mas são essas as melhores a se tomar.

8 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Re,
Pra matar as saudades, resolvi te procurar aqui um pouco!
Valeu a pena!
Amanhã, sem tomar como 'lição de vida', ainda juro que levanto '8'.
beijo,
eliana

11:33 PM  
Anonymous Anônimo said...

vc parece muito legal pelo blog queria te conhecer ao vivo!

10:36 PM  
Anonymous caca said...

re, queriiiida amiga, feliz aniversário!!! todo o amor, felicidade, saúde e amigos!!! E muitos "ao vivo" pela frente! Porque a vida é efêmera, do papel de flor ao lixo são segundos esquecidos. O que resta são os momentos, fragmentos de felicidade interpelados por imprevistos. tudo, no fim viram lembranças, força de mulheres de 30!
um beijo muito grande com saudade.
caca

5:52 PM  
Blogger .:pepperarm:. said...

inspirador e gostoso de ler...
saudades... vamos nos ver?
beijos
(parabens!!!!!!!!!! foi seu niver né??? mais sucesso, mais luz e mais saude SEMPRE)

11:48 AM  
Anonymous Anônimo said...

Como a Fenix que ressurge... Com mais força ainda... A coragem de reconhecer e a vontade de se superar. Ja gostava de voce a agora ainda mais por descobrir sua raiz pernambucana. Sucesso em tudo que voce fizer...seja la oque for!!!
Moacir Casimiro
casimiro_netto@hotmail.com

11:36 AM  
Blogger Renata Oxendorff said...

rê, aqui em casa, hoje em dia, jornal de hoje vira mijódromo do meu cãozinho amanhã, rs. não esquenta a cabeça, querida. o inferno astral acabooooou! beijos. reox

8:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Re, negona, diretamente da fonte: Caiu 7, levantou 8 e só acredito Vênus!!!!
Parabéns atrasadíssimo.
Tudo de bom e nos vemos no Willlllll.bj

7:08 PM  
Anonymous Anônimo said...

da nega, Petra.

7:09 PM  

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